Jejum intermitente

Você já ouviu falar sobre jejum intermitente, mas entende a lógica por trás da
prática?

Jejum intermitente. Cada vez mais conhecida, é uma das vertentes da prática do jejum e vem sendo amplamente difundida e praticada (muitas vezes de forma incorreta) por aqueles que buscam perder os quilos a mais, mas poucos compreendem a verdadeira lógica ou sabem dos outros inúmeros benefícios dessa prática milenar.

Seja comendo 500 calorias 1 a 2 dias por semana, ou indo de 12 a 18 horas por dia sem comida, o comumente apelidado JI não deveria ser considerado uma dieta por ser em realidade um padrão alimentar.

Pesquisas afirmam que o jejum pode ajudar a perder peso por colocar o corpo em um estado de queima de gordura raramente alcançado quando alimentado constantemente. O estado de jejum possibilita a queima daquela gordura inacessível durante o estado alimentado, e isso se dá pelo corpo estar trabalhando sob baixos níveis de insulina.

Não entramos no estado de jejum antes de 12 horas após a última refeição, de forma que é raro que nossos corpos estejam neste estado de queima de gordura e essa é uma das razões pelas quais muitas pessoas que começam o jejum intermitente perdem gordura sem mudar o que, o quanto ou com que freqüência comem ou se exercitam.

Aqui estão os principais benefícios para a saúde associados à prática:
    Perda de peso: Como mencionado acima, o jejum intermitente pode ajudar a perder
peso e gordura da barriga, sem ter que restringir calorias conscientemente.
    Resistência à insulina: O jejum intermitente pode reduzir a resistência à insulina,
reduzir o açúcar no sangue de 3 a 6% e os níveis de insulina em jejum em 20-31%. Isso
pode ajudar a evitar o diabetes tipo 2.
    Inflamação: Alguns estudos mostram reduções nos marcadores de inflamação, um
fator-chave de muitas doenças crônicas.
    Saúde do coração: O jejum intermitente pode reduzir o colesterol LDL, triglicérides no
sangue, marcadores inflamatórios, além de – como já mencionado – ajudar a controlar
o açúcar no sangue e reduzir resistência à insulina. Todos esses são fatores de risco
para doenças cardíacas.
    Câncer: Estudos em animais sugerem que o jejum intermitente pode ajudar a prevenir
o câncer.
    Saúde do cérebro: O jejum intermitente aumenta a produção do hormônio BDNF, que
pode ajudar no crescimento de novas células nervosas na proteção contra Alzheimer.
    Antienvelhecimento: O jejum intermitente pode prolongar a vida útil em ratos.

Estudos mostraram que os ratos em jejum vivem até 36-83% mais tempo. Não apenas praticado para perda de peso ou no auxílio do tratamento de certas doenças crônicas, o jejum intermitente é aliado na performance e rendimento esportivo. Um estudo publicado na edição de julho de 2010 do "Journal of Science and Medicine in Sport" descobriu que os participantes – especialmente homens – que se exercitavam após um jejum noturno, experimentaram melhoras induzidas por treinamento na capacidade de usar oxigênio e os músculos. Um estudo publicado em 1986 no "Journal of Applied Physiology" sugere que corredores de endurance podem jejuar antes de uma corrida para treinar o corpo a usar gordura como energia. Os defensores de jejuns mais longos alegam que o jejum pode aumentar seus níveis de energia por usar menos esforço para a digestão e poder direcionar essa energia para os esforços do exercício.

Além de todos os resultados comprovados cientificamente, o jejum também serve de embasamento para questionarmos alguns dos muitos mitos alimentares amplamente difundidos, como:

  • O café da manhã não é a refeição mais importante do dia (nenhum dado realmente
    prova que isso o torna mais saudável ou mais magro);
  • Comer de 3 em 3 horas não necessariamente aumenta seu metabolismo (com um
    fornecimento constante de carboidratos circulando pelo sistema, o corpo não queima
    gordura); e
  • Fome não leva automaticamente a excessos.

Parece o melhor dos mundos, certo? Mas não devemos esquecer que dada prática deve ser cogitada e elaborada em caráter individual em estreita colaboração com um médico. Há indivíduos que possivelmente não alcançarão os muitos benefícios do jejum dado condições pré-existentes, se fazendo sempre necessária análise mais detalhada com um profissional antes de aderir à prática.

Não obstante, há certos indicadores que podem ajudar a aferir a validade de cogitar esse estilo de alimentação.
O jejum intermitente pode ser para você se...

  1. Você tem uma personalidade “8 ou 80” (tudo ou nada);
  2. Você está sempre com fome;
  3. Você quer uma prática que venha atrelada ao anti-envelhecimento;
  4. Você é pré-diabético (sempre cheque com um médico especialista antes de aderir);
  5. Você realmente precisa perder peso, mas não consegue.

A razão para que pessoas que se encaixam nas categorias acima considerem a prática é
simples: o jejum intermitente melhora o equilíbrio hormonal e aciona a produção do hormônio
de crescimento (GH) que promove limpeza e reparação celular, e também torna as células
mais sensíveis à insulina. A prática comprovadamente acelera o metabolismo e ajusta o
apetite.

No entanto, há um grupo que deve analisar de forma mais criteriosa a possibilidade. O jejum
intermitente pode não ser bom para você caso:

  1. Faça uso de medicamentos que afetam os níveis de açúcar no sangue; ou
  2. Seja viciado em carboidratos refinados; ou
  3. Tenha um histórico de distúrbios alimentares; ou
  4. Esteja (ou planeje estar) grávida; ou
  5. Tome remédios que precisem ser ingeridos pela manhã ou noite junto com sua
    refeição.

As muitas pesquisas que existem não devem convencê-lo a praticar o jejum sem antes
consultar seu médico!

Elisa Lamego

Atleta Território Performance Team