Blog Território

  • Eu Consigo Fazer Uma Trilha Difícil?

    Falando sobre a classificação de dificuldade de trilhas

    Uma questão recorrente quando falamos em trilhas e caminhadas é: qual a dificuldade das mesmas? Perguntas sobre se a trilha é “pesada” ou “leve” são comuns, mas classificá-las não é tão fácil. Isso porque as dificuldades (ou a percepção da dificuldade) variam de pessoa para pessoa. O que para Chico pode ser fácil ou leve para Francisco pode ser difícil ou pesada. Mas mesmo sendo subjetiva, a classificação é possível se elencarmos alguns parâmetros para que possamos saber o que nos espera quando resolvemos “sujar a bota”.

    Tipos de Trilha

    Antes de começar a falar sobre classificação é bom explicar que temos três tipos de trilha:
    • Trilha simples ou apenas trilha: quando a ida e a volta se dão pelo mesmo caminho. Ex: Trilha do Itapiroca
    • Travessia:  trilha que o início e o fim se dão em lugares distintos. Ex. Nascentes do Tibagi.
    • Circuito: quando uma trilha começa e termina no mesmo local, mas seguindo por caminhos diferentes. Ex. Circuito Torre Amarela – Canal

    Classificação

    Tendo em mente os tipos de trilha podemos classificá-las. Irei utilizar a classificação elaborada pela FEMERJ – Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro, que é filiada a CBME – Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, e, portanto, uma definição utilizada pela entidade que rege as atividades de montanha no Brasil, visto que existem várias outras classificações, tanto no Brasil quanto no exterior. Leia o documento elaborado pela FEMERJ.

    Características biofísicas

    As trilhas são classificadas de acordo com as suas características biofísicas (aclive, declive, tipo de terreno, obstáculos), graduando-as conforme 4 parâmetros:
    • Esforço Físico: avalia o nível de esforço físico necessário para cumprir o percurso em função de parâmetros específicos.
    • Exposição ao Risco: avalia a dificuldade do trajeto em relação ao nível e à frequência de exposição a riscos.
    • Orientação: avalia o grau de dificuldade para o usuário manter-se orientado na trilha.
    • Insolação: avalia o percentual de exposição ao sol
    A classificação das trilhas utiliza os 4 parâmetros em conjunto, ou seja, uma trilha pode exigir pouco esforço físico, mas ter uma grande exposição ao risco, orientação fácil e baixa insolação. Vamos falar mais sobre cada um deles.

    Esforço físico (Classificação Básica):

    Avalia o nível de esforço físico necessário para cumprir o percurso em função de características específicas da trilha (duração, percurso, desnível, obstáculos e piso/terreno). Em relação ao parâmetro de esforço físico, essa classificação divide as trilhas em 8 níveis, iniciando em “Leve” e terminando em “Extra Pesada”. O oitavo nível desta classificação é referente a trilhas de “Longo Curso”, que é um nível que indica um tipo de trilha em particular. A Classificação Básica representa o esforço para realizar determinada trilha e não o nível técnico da mesma. Quando houver algum trecho técnico, como uma passagem de cabo de aço, ou algum lance de escalada, é necessário informar a graduação do lance de escalada juntamente com a Classificação Básica.

    Exposição ao Risco:

    Avalia a dificuldade do trajeto em relação ao nível e à frequência com que o caminhante é exposto a situações de perigo (Evento de Risco). Este parâmetro é dividido em 4 graus de exposição (Pequeno, Moderado, Severo e Crítico), onde o aumento do grau está relacionado diretamente com as consequências/probabilidades que um evento de risco aconteça. Alguns tipos de riscos a que somos expostos em trilhas: Tropeções, torções, escorregões e queda. Fenômenos atmosféricos (tempestades, raios, nevoeiro, vento, frio, calor etc.). Ataques de animais, picadas de cobras, insetos ou outros animais peçonhentos. Travessias de rios caudalosos. Trechos com exposição a altura, lances de escalada, etc… É importante salientar que o grau de exposição está relacionado com a capacidade técnica ou experiência de cada pessoa. Por exemplo, a escadinha do PP, que para alguns é tranqüilo, para outros nem tanto… Aqui na AWT&A procuramos elaborar roteiros que tenham um nível de exposição ao risco de pequeno a moderado. Quando propomos roteiros de risco maior, temos o cuidado de eliminar o máximo possível situações de força maior como condições climáticas. Além disso, temos acompanhamento da equipe de guias que possuem treinamento em resgate e primeiros socorros. Na eventualidade de um acidente, todos os roteiros são cobertos por seguro pessoal.

    Orientação:

    Avalia o grau de dificuldade para o usuário manter-se orientado e leva em consideração características específicas da trilha como sinalizações, bifurcações, definição do leito, referências de orientação (acidentes geográficos), vegetação (vegetação fechada ou não) etc. No caso  da AWT&A este parâmetro não é utilizado, visto que todas as trilhas realizadas por nós contam com pelo menos dois guias experientes além de fazermos o reconhecimento prévio do percurso.

    Insolação:

    Avalia a disponibilidade de sombra ao longo da trilha, indicando a percentagem do caminho que o Sol permanece descoberto, brilhando sem anteparos. Parâmetro não obrigatório, usado mais em placas, artigos técnicos e guias de trilha. Serve para informar aos usuários o percentual de exposição de sol de uma determinada trilha.

    Classificação de trilhas

    Qual a dificuldade dos nossos roteiros

    Dada as definições, vamos ver alguns exemplos de como utilizamos na prática. Como falado, os parâmetros orientação e insolação não são utilizados em nossas classificações, a não ser quando o mesmo pode se tornar severo. Exemplo: a insolação no Quiriri (Trilha do Marco da Divisa) visto que a mesma não dispõe de nenhuma sombra, sendo necessário tomar medidas paliativas (chapéu, protetor solar, manga comprida, etc…) sob o risco de insolação. A trilha do Pico Paraná é considerada pesada com grau de exposição severo. Apesar de ter apenas 7 km,  tem grande aclive e declive (acima de 800m até 1200m), piso irregular com muitos obstáculos, é necessário o uso das mãos para manter o equilíbrio e/ou ascender, e o trajeto leva de 8 a 10 horas. Já a trilha do Itapiroca (6 km, aclive e declive acima de 800m até 1200m, piso irregular com muitos obstáculos, uso das mãos para manter o equilíbrio e/ou ascender, tempo de 6 a 8 horas) é pesada com grau de exposição moderado, pois não passa pela escadinha e o trepa-pedra do PP. Vamos ver uma trilha moderada: Trilha da Cachoeira da Paulina. Tem até 12Km, duração de 2 a 4 horas, desnível de até 200m com obstáculos e piso irregular. Veja que o desnível dela não é grande, e por este parâmetro ela seria uma trilha leve, mas os demais parâmetros (duração, percurso, obstáculos e Piso/terreno) a elevam a categoria moderada. Como podemos ver o que determina se uma trilha é leve, leve superior, moderada, moderada superior, pesada, pesada superior ou extra-pesada é quando a maioria dos parâmetros da classificação básica se encaixam na descrição, mesmo que um ou dois itens pertençam a outra categoria. O mesmo é usado na classificação do risco: será usada a classificação do maior risco que existe na trilha, mesmo que ele seja pontual e único.

    Caminhadas rurais

    Como vocês notaram, até agora falamos de trilhas, mas aqui na AWT&A também fazemos caminhadas rurais! E como diferenciar trilhas de caminhadas rurais? Na maioria das vezes uma caminhada rural vai ser leve, leve superior ou moderada, pois o desnível geralmente é baixo, poucos obstáculos e piso regular. O que vai diferenciar é o tempo e a extensão da caminhada, que varia de 4 a 6 horas de caminhada num total de 10km a 15km. Vejam que estes dois últimos parâmetros classificariam a caminhada como moderada superior, mas os parâmetros desnível, obstáculos e piso/terreno são de uma caminhada leve. E porque eu escrevi tudo isso e você leu até aqui? Para que você, cliente amigo, saiba o que te espera quando descer da van e colocar a mochila nas costas! Assim a caminhada será muito mais prazerosa, sem grandes surpresas ou infortúnios. E não se esqueça, que sempre que possível temos um carro de apoio (geralmente nas caminhadas rurais) que poderá te dar uma carona quando a coisa apertar… Espero que esta leitura deixe você mais confortável na próxima vez que for conosco e veja a classificação extra-pesada!!!! “Vai ser moleza!!!”, “o cume é logo ali”, “esta é a última subida” e “só faltam 5 minutinhos”… Bom, papo de guia a parte… Saibam que todos podem tirar todas as suas dúvidas conosco, através de nossos canais de comunicação. Fiquem à vontade para perguntar, teremos o maior prazer em ajudá-los. Esse e outros relatos você encontra em Anawanke.com
  • Travessia Alpha-Crucis

    A travessia Alpha-Crucis (AC) consiste numa união de travessias em três serras do estado do Paraná, a Serra do Ibitiraquire, Serra da Farinha Seca e Serra do Marumbi. Ela foi concluída e concretizada pela primeira vez em 2012, por Jurandir Constantino e Élcio Douglas, contemplando 44 cumes em 10 dias, desde então não havia registros de alguém que tenha repetido, houve tentativas, porém infelizmente sem sucesso. Foi após concluir essas principais e algumas outras travessias nas serras paranaenses que eu Leandro Cechinel (Chapa) e meus amigos Cleverson Souza (Dingo) e Lucas Feltrin (Trepa) tomamos a decisão de nos dedicarmos a fazer esta travessia. Nossa dedicação foi em vários quesitos, tais como, investimento em equipamentos e backup destes, preparo físico, estudo da logística e de toda a região a ser percorrida com antecedência, bem como a alimentação a ser adotada para os mais de dez dias de travessia.   Procurando não ter um gasto muito alto com comida e também pensando no peso, decidimos estocar comida em pontos estratégicos que chamamos de checkpoints, foram três no total, um para cada serra (A1, Marco 22 e Estação Marumbi). Focamos em uma refeição quente por dia no período da noite, utilizando comida pré-cozida (Vapza), macarrão, além de comidas militares e alguns liofilizados. Nos demais períodos do dia nos alimentávamos de barra de proteína, carbogel e alguns doces.

    Um breve relato

    O intuito deste relato é ser apenas um pequeno descritivo dos principais acontecimentos, trajeto percorrido, fotos e montanhas conquistadas em cada dia, sem vir a ser um guia ou conter informações muito detalhadas.

    Dia 1 – Empolgação

    Foi no sábado de manhã, dia 1 Julho de 2017, quando conversávamos com o seu Raul sobre deixar meu carro na Fazenda Rio das Pedras por pelo menos uns dez dias, ele ficou surpreso e querendo saber o motivo, depois de tudo explicado nos desejou boa sorte e fez um preço bacana pelo estacionamento. E ali começamos a jornada que duraria mais de dez dias de caminhada, três serras e mais de cinquenta montanhas. Partimos sentido Guaricana, o trecho inicial era novidade para todos, pois o reconhecimento desta montanha foi realizado por outro caminho, via Ferraria e Ferreiro. Chegamos no início da trilha rápido, largamos as cargueiras e partimos de ataque ao cume que terminou em 1h20, essa é uma montanha pouco visitada, no caderno cume que a primeira assinatura é de 2002, têm várias assinaturas dizendo que reabriram a trilha do Guaricana, pelo visto a trilha nunca pára aberta ali. Depois da primeira montanha conquistada de várias, fomos sentido Ferreiro, onde acampamos no cume.
    Início da travessia: Lucas Feltrin, Leandro Cechinel e Cleverson Souza.
    Foto Leandro Cechinel, primeiro dia de travessia.

    Dia 2 – Frio

    O dia já começou com emoção, com um vento sinistro que parecia que a barraca ia levantar voo, saí do saco de dormir que estava muito confortável e comecei a colocar a roupa que estava molhada por causa da vegetação do dia anterior, sem dúvida foi a pior parte do dia. Quando olhei para a barraca do Dingo e do Trepa vi que eu não estava sozinho, a barraca toda torta e dava pra ver a silhueta dos dois lá dentro segurando ela. O vento estava tão forte e frio que não conseguimos guardar as barracas no cume, tivemos que enrolar de qualquer jeito e levá-las para um lugar mais abrigado, mesmo assim foi difícil pois as mãos estavam travadas por causa do frio, e como nenhum de nós é muito adepto ao uso de luvas, eu mesmo nem sentia mais os dedos, acabamos nem registrando no caderno cume por causa do frio. Com tudo pronto partimos sentido Ferraria, seguimos o trajeto feito semanas antes pensando justamente nesta travessia. Depois de uma subida árdua chegamos no cume, tiramos um descanso merecido partimos sentido Taipabuçu, tomamos um susto ao ver tanta gente no cume, onde conhecemos o Bruno e a Talita, ele perguntou “Estão indo pra onde?”, foi engraçado o sorriso deles e a empolgação quando respondemos “Conhece o Morro do Canal?” hahah. Naquele momento já estávamos cansados das subidas anteriores, mas a energia positiva que a galera nos passou foi uma baita injeção de ânimo, além da barra de chocolate que nos deram e também uma maçã que ganhamos de um cara descendo o cume, que maçã boa… Depois disso foi como se tivéssemos acabado de começar a caminhada, o ritmo melhorou muito e num instante chegamos no Caratuva, infelizmente estava cheio de lixo no cume, sacolas e sacolas. Assinamos o caderno cume como sempre, dividimos a barra de chocolate e já seguimos em direção ao A1 pela trilha da conquista, o primeiro checkpoint. Ao chegarmos no A1 fomos direto na busca do checkpoint, comida! Foi aí que tomamos um choque, alguém encontrou o estoque antes que nós, roedores, por sorte não conseguiram chegar na comida e danificar nada além dos baldes, um dos baldes estava com a tampa toda roída, parecia que tinham usado um abridor de latas hahah. Comemos muito bem e descansamos, porque o dia seguinte seria puxado, de ataque no conjunto Ibiteruçu.
    Foto: Leandro Cechinel, checkpoint com a tampa roída.
    Foto: Leandro Cechinel, desarmando acampamento.
     

    Dia 3 – Visitantes inesperados

    E o dia amanheceu nublado mais uma vez, muito frio e neblina, o mais difícil era sair do saco de dormir quente e colocar a roupa molhada do dia anterior, pois sabíamos que aquela roupa seca teria que continuar seca o trajeto todo. Deixamos o acampamento da mesma forma, só trocamos de roupa, pegamos as mochilas de ataque e já partimos sentido Pico Paraná, chegamos no cume e nada de o tempo melhorar, começamos a descida para o Tupipiá, com o tempo seco essa trilha já é complicada, molhada então… Esse trajeto foi complicado, as mãos não respondiam direito mais por causa do frio. Mas com todo o cuidado, alguns escorregões e agarrados nas caratuvas, chegamos no cume. O caderno e tampa haviam sido trocados recentemente, o da Capa do Inri Cristo sumiu junto com a tampa. Assinamos e voltamos para a mata que tem no cume para comer algo e descansar um pouco, foi aí que o Dingo nos lembrou que nesse mesmo lugar alguns meses atrás decidimos em conjunto que iríamos fazer a travessia Alpha-Crucis. Depois daquele dia começamos a nos preparar, foi legal relembrar aquele momento. Descansados voltamos para o cume do Pico Paraná e fomos em direção ao União e Ibitirati, ataque que terminamos meio-dia, só faltava mais um, Camelos. Que trilha escorregadia, perdi a conta de quantos tombos levei, chegando no cume tivemos uma pequena alegria de ver os paredões do conjunto e parte do litoral, mas logo fechou tudo novamente. O mais importante foi que mantivemos o ânimo e ninguém se lamentava pelo tempo ruim, se divertindo e curtindo mesmo assim, mantendo a parceria. Com a comida e água acabando, fome aumentando, voltamos para o acampamento, devido ao tempo ruim e vento muito forte, decidimos acampar ali mais uma noite, porque sabíamos que no Itapiroca estaria tudo alagado além de ser um cume mais exposto. Já nas barracas, secos e depois de jantar, o Dingo deixou uma embalagem suja de comida fora da barraca e falou brincando: “Vou deixar uma oferenda aqui”. Chato como sou achei ruim, guardei todo o meu lixo e deixei dentro da barraca. Em uma das vezes que acordei de madrugada escutei um barulho estranho do meu lado, era um rato que havia roído minha barraca, fez um buraco e enfiou a cabeça para pegar o lixo na sacola, que raiva que me deu, eu batia na barraca, tocava fazendo barulho “Shhhhh!!!”, mesmo assim ele voltava, enquanto isso eu ouvia os risos do Dingo e do Trepa na outra barraca, hahaha. No fim para poder dormir em paz tive que deixar uma das embalagens pra fora também, que amanheceu toda roída. A situação dessa região está muito complicada, pela superlotação, fogueiras causando risco de incêndio, abertura de novas áreas de camping, quantidade de lixo abandonado e etc. Depois disso eu não via a hora de sair daquela região, acabei dormindo puto com o que aconteceu com a barraca, e preocupado com que se repetisse.
    Foto: Leandro Cechinel, Cume morro Camelos

    Dia 4 – Peso

    Abrir a barraca pela manhã era como um jogo de loteria, sempre na esperança de ver um tempo limpo, sem neblina ou chuva, no fim acabou amanhecendo o quarto dia de tempo ruim. O que nos restava era colocar a roupa molhada e gelada do dia anterior mais uma vez, desarmar acampamento e continuar a caminhada, desta vez foi muito mais difícil, pois tínhamos acabado de carregar as mochilas com toda a comida para finalizar a primeira serra. Seguimos com certa dificuldade até o cume do Itapiroca, até o corpo esquentar, acostumar com o peso e etc, descemos sentido Cerro Verde, no pouco tempo que o Trepa foi na frente já encontrou dois óculos na trilha, nunca via tamanha sorte para encontrar itens nas trilhas, incrível como isso sempre acontece. Chegando no cume do Cerro Verde, os planos eram armar acampamento e fazer de ataque Taquapiroca, Tucum e Camapuã. Porém já estávamos cansados, começando a desanimar com tanto tempo ruim, sendo que escolhemos essa época do ano justamente contando com o bom tempo previsto. Ao meio-dia, em um momento de loucura e brincadeira falei: “Bora ficar na barraca hoje? Fazemos os ataques amanhã…”, todos toparam prontamente hahaha.

    Dia 5 – Beijo da morte

    De tempos em tempos até amanhecer eu abria a barraca para ver como estava o tempo, foi quando o dia clareou que tive uma das melhores sensações, consegui ver o conjunto Ibiteruçu pela primeira vez nessa travessia! Gritei para o Dingo e Trepa que estavam deitados na outra barraca avisando sobre o tempo e que o sol estava nascendo, logo resmungaram e ainda me xingaram hahahah. Mas depois que insisti e eles viram foi só alegria. Como estávamos molhados desde o primeiro dia, nos demos o luxo de começar a caminhar mais tarde do que de costume e montamos nosso varal no Cerro Verde para tirar o cheiro de cachorro molhado e secar algumas coisas. Deixamos o acampamento ali e partimos para os ataques, depois de abastecer de água no vale sentido Tucum, o Dingo ficou bem pra trás, aí descobrimos o motivo, veio ele todo preocupado com o sistema de hidratação na mão dizendo: “Deixei pra fora e o rato roeu o bico, o pior é que já coloquei a boca”, eu e o Trepa caímos na gargalhada, falamos que ele iria se transformar em rato, morrer antes de terminar a primeira serra e várias outras brincadeiras sadias hahaha, foi aí que o Trepa batizou o rato de “Godofredo”. Fizemos os ataques ao Tucum e Camapuã, e na sequência fomos para o Taquapiroca, trilha que eu havia procurado e feito algumas semanas antes pensando em juntar nessa pernada. Como eu estava na frente, cheguei no cume alguns minutos antes, olhando de cima vi o Dingo balançando as mãos e falando: “Cobra! cobra! cobra!”, uma jararaca enrolada perto de algumas bromélias bem no meio da trilha, não vi ela e nem ela me viu para a minha sorte. Voltamos para o Cerro Verde desarmar acampamento e continuar a caminhada do dia, com tempo bom e animados o dia rendeu muito, partimos sentido os “Ovos de Dinossauro” ou também conhecido como “Pedra do Coiote” e depois Pico do Luar por cima, deixei um novo caderno cume no Luar, pois havia acampado ali alguns dias atrás e notei que não havia mais. Descendo para o descampado notamos mais uma coisa triste, marca de fogueira, ainda mais naquele pico, essa galera está indo cada vez mais longe. Ao chegar no pé do Ciririca abastecemos de água e começamos a discutir quanto tempo levaríamos para subir até o cume, fizemos nossas apostas e começamos, o Dingo já falou pra eu ir na frente e não ficar botando pressão nele haha. Chegamos no cume muito mais rápido que o esperado. Na mesma noite tivemos outra visita do rato Godofredo.  
    Foto: Leandro Cechinel, roupas no varal.

    Dia 6 – Rio, rio e mais rio

    Desarmamos acampamento após ver o nascer do sol com saco de dormir e bebendo um café e já começamos a descer o Ciririca. Logo chegamos na Colina Verde e bifurcações para os Agudos Lontra e Cotia que fizemos de ataque. Ao começar a andar pelos afluentes e também o próprio Rio Forquilha o ritmo diminuiu bastante devido a cautela, é nesse trecho que o Trepa se transforma e fica puto com tudo, odeia andar pelo rio hahah. Depois de algumas horas de caminhada chegamos na Garganta 235, que fica entre o Tangará e Coxotós, no fim não consegui convencer a galera de fazer o Coxotós de ataque novamente e até mesmo o Tangará ficou para o dia seguinte, já estávamos bem cansados, foi melhor assim.

    Dia 7 – Fim da primeira serra

    Ao contrário do que eu esperava, tivemos uma noite sono muito boa nesse acampamento, fizemos um ataque ao Tangará, desarmamos acampamento e continuamos com a caminhada. Logo chegamos no Dique de Diabásio, que lugar incrível, fica um pouco antes do Salto Mãe Catira onde paramos um bom tempo para contemplar. Depois deste ponto a caminhada segue por uma trilha que parece infinita até o Marco 22, na Estrada da Graciosa, um dos dois pequenos pontos de civilização que existem durante esta travessia, o outro é na região da Estação Marumbi. Chegando na estrada da Graciosa, para a nossa alegria avistamos o quiosque aberto, eu já estava sentindo o gosto do pastel alguns quilômetros atrás, o mais engraçado era a reação das pessoas ao verem aqueles três malucos sujos, cansados e fedendo, pedindo tudo o que se tinha para comer, logo vinham puxar assunto e fazendo várias perguntas. Cuidamos para não passar mal comendo demais e seguimos até a fazenda Garbers, onde no caminho estava o checkpoint com nossa comida para a próxima serra, uma das partes mais tensas foi essa, pensando no caso de a comida não estar conforme deixamos, já estávamos preparados para voltar no quiosque e comprar tudo o que era possível para passar os próximos dias, mas felizmente estava tudo certo e a felicidade tomou conta. Com as mochilas carregadas chegamos no portão da fazenda, onde fomos recepcionados não muito bem pelos diversos cachorros do Marcelo, um deles até mordeu a perna do Trepa, por sorte não foi forte. Na sequência o Marcelo saiu e acalmou eles, ficamos um bom tempo conversando na sua varanda enquanto deixamos algumas roupas secando no sol e o celular de emergência carregando. O papo estava bom mas tínhamos mais duas serras para percorrer, começamos a subir sentido Mãe Catira já perto do pôr do sol, mais uma vez sentimos na pele o custo das mochilas carregadas de comida, subimos até encontrar o lugar mais adequado para acampar e seguir com a caminhada no dia seguinte.

    Dia 8 – De seca, só o nome

    A minha intenção era de ver o nascer do sol no cume do Morro do Sete, porém com o tempo fechado e muita neblina voltei a dormir e fomos de ataque ao Mãe Catira e Sete um pouco mais tarde. Às 10h pegamos a bifurcação sentido Polegar, estávamos curiosos e um pouco confiantes sobre essa serra, pois havia recebido uma manutenção na trilha recentemente e pelo menos dois outros grupos haviam feito a travessia da Farinha Seca, realmente isso facilitou e rendeu muito mais a caminhada, sem tomar praticamente nenhum perdido e sem varar mato e taquaral no peito, diferente da primeira vez que fizemos a Farinha Seca. Passamos pelo Polegar, Esporão do Vita, fizemos de ataque rapidamente o Tapapuí, Farinha Seca e acampamos no morro dos Macacos sob chuva, onde haviam marcas de acampamentos recentes.

    Dia 9 – Só falta mais uma

    Mais uma vez passando por essa serra com praticamente nenhuma vista, novamente o dia amanheceu molhado e com neblina, pela manhã abriu por poucos instantes, o suficiente para nos animar e saber que logo estaríamos nos pés do conjunto Marumbi, isso sim me animou. Passamos então pelo Jurapê Açu, Jurapê Mirim e fomos de ataque ao Balança, onde existe um mirante que nunca vi nada de lá, hahah, mas um dia verei. Após o Balança, descemos com todo o cuidado necessário, a descida é bem íngreme e perigosa, foi nessa região que infelizmente um montanhista acabou perdendo a vida durante a travessia da Farinha Seca. Saiba mais aqui. Logo chegamos no Rio Ipiranga e São João que tivemos que atravessá-los, desta vez sem problemas, seguimos por uma trilha curta que terminaria no portão da Usina e que também é utilizada para acesso ao Salto do Rosário. Finalizamos a segunda serra próximo das 14h20 e corremos para o camping do Parque Estadual do Marumbi para aproveitar o tempo restante de sol, secar os equipamentos e recolher o terceiro e último checkpoint. Depois de nove dias caminhando molhados, sem tomar banho e com pouco conforto, o banho quente no camping deve ter sido um dos melhores da vida.

    Dia 10 – Marumbi, o paraíso

    O dia amanheceu limpo, tempo perfeito e a alegria tomou conta, principalmente por ser nessa serra, tomamos um café e partimos de ataque ao Rochedinho, na volta desarmamos acampamento e começamos a subir o conjunto, passando pelos cumes do Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre,  Gigante, Olimpo e Boa vista, sem dúvida para mim este foi o melhor dia da travessia, onde o último cume do dia fez jus ao nome, o pôr do sol mais bonito da vida até então, não bastando logo depois com o nascer da lua cheia. Neste momento já comecei a sentir que estava acabando a travessia, ali já estava batendo saudades, com esse sentimento de “quase acabado” batemos um papo sobre a vida e os próximos objetivos de cada um, até mesmo em outras atividades.
    Foto: Leandro Cechinel, pôr do sol visto do cume boa vista.

    Dia 11 – Do fim ao início (AO)

    Cuidando para não cair nas gretas escondidas do cume do Boa Vista, logo chegamos nas correntes, o começo de cada dia é sempre complicado, até aquecer, acostumar com o peso e etc, e pegar de cara uma parede com corrente e de quebra um greta no fundo não é muito legal. Na sequência passamos pelo Leão e Ângelo, ao descer este último já comecei a procurar uma possível trilha de acesso ao Bandeirantes, mesmo sabendo que o Dingo e Trepa não topariam, a essa altura já estavam me xingando de ter colocado tantos picos de ataque a mais na travessia e as piadas começaram, dizendo que iam cortar minhas pernas, iam me dar uma “paulistinha” para parar de andar e por aí vai hahaha. Mas consegui convencê-los de deixar de fazer o Espinhento de ataque e fazer o Bandeirantes no lugar, que seria um pico novo para todos nós desta vez e aparentava ser mais fácil, e realmente valeu a pena. Depois do ataque descemos pelas inúmeras gretas até entrar numa quiçaça que vai até os pés do Morro do Pelado, o qual do cume conseguimos ver o trajeto final para os próximos dias. Foi estranho fazer a Alpha-Ômega ao contrário, e principalmente com tempo bom, enxergando a trilha claramente, sem tomar muitos perdidos, pelo visto está sendo bastante visitada recentemente. Passamos entre o Espinhento e Chapéu, onde decidimos não subi-los, só de eu ameaçar a subir o Chapéu o Dingo já estava quase me batendo hahah. Seguimos rumo ao próximo ponto de acampamento, Alvorada 2, chegamos exaustos, jantamos perto das 17h. Foi nesse pico e último dia de acampamento com um sentimento de missão cumprida que decidi tirar o celular do modo avião, ver as mensagens de quem sabia onde estávamos e que estavam torcendo por nós, além de avisar que terminaríamos a caminhada no dia seguinte.

    Dia 12 – Reta final

    Após ver o nascer do sol com um mar de nuvens gigante começamos a desarmar acampamento, foi aí que o Dingo encontrou uma aranha caranguejeira, me conhecendo já gritou para eu ir ver. Existem muitas desta espécie nesta região próxima do Morro do Canal, não é raro encontrar uma, mesmo não sendo venenosa, a picada é dolorida e caso ela se sinta ameaçada pode soltar cerdas vindo a irritar os olhos. Com tudo pronto e mochila nas costas, partimos para a caminhada final, parecia que o corpo sabia que estava acabando, começou a diminuir o ritmo e o cansaço de todos os dias bateu nesse último. Passamos pelo Alvorada 3, Alvorada 4 e Mesa, onde paramos para descansar e por um vacilo minha cargueira caiu em uma greta de mais ou menos uns sete metros, lá fui eu resgatá-la. Depois do Cume do Mesa passamos pelo “Acampamento Fantasma”, lugar que existe há muito tempo na serra, onde se tem uma lona azul e um varal com alguns itens pendurados, um par de botas, um boné, um par de luvas e uma mochila, havia uma camiseta que se deteriorou e um fogareiro antigo que pelo visto andaram levando. Até hoje esse lugar é um mistério. Na última vez que passamos por lá o varal estava destruído, desta vez vi que a gambiarra que fiz com a alça da mochila aguentou bem haha. Após passar pelo cume do Morro do Carvalho e Ferradura, escondemos as mochilas e fomos para a Torre Amarela de ataque, com a cargueira já nas costas passamos pela Torre do Vigia e com certa dificuldade na última montanha, Morro do Canal. Neste momento o nosso amigo Beira (Fernando Monserrat) já estava a caminho da fazenda para nos resgatar, resgate mais que especial, por ele ter começado a subir montanhas junto conosco anos atrás.

    Dia 13 – Não acabou

    Depois de rever a família, tomar um banho quente, dormir numa cama confortável, comer até passar mal e essas coisas que no dia-a-dia acabamos não dando o devido valor, pedi para o Dingo me levar até a fazenda Rio das Pedras para resgatar o meu carro, ele me deixou lá e retornou, aproveitei para subir até o A1 recolher os recipientes do primeiro checkpoint, também para fazer uma limpeza na trilha e áreas de acampamento, limpar os indícios de fogueiras que pessoas fazem e etc.

    Trajeto

    Totalizando 115km, 12.853m de aclive e 12.681m de declive a travessia toda foi gravada com um GPS Garmin GPSMAP 64s, e um Garmin eTrex 20x como backup.  

    Montanhas

    Totalizando 55 montanhas nas três serras, boa parte delas com o uso de mochilas de ataque por fugir do trajeto original. Serra do Ibitiraquire (22): Guaricana, Ferreiro, Ferraria, Taipabuçu, Caratuva, Pico Paraná, Tupipiá, União, Ibitirati, Camelos, Itapiroca, Taquapiroca, Cerro Verde, Tucum, Camapuã, Pico do Luar, Siri, Ciririca, Colina Verde, Agudo Lontra, Agudo Cotia, Tangará. Serra da Farinha Seca (12): Mãe Catira, Morro do Sete, Polegar, Casfrei, Esporão do Vita, Tapapuí, Farinha Seca, Morro dos Macacos, Mojuel, Jurapê Açu, Jurapê Mirim, Balança. Serra do Marumbi (21): Rochedinho, Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre, Gigante, Olimpo, Boa vista, Leão, Ângelo, Bandeirante, Pelado, Alvorada 2, Alvorada 3, Alvorada 4, Mesa, Sem nome, Carvalho, Ferradura, Torre amarela, Torre do Vigia, Morro do Canal. Esse e mais relatos você encontra no blog LCechiel siga o Leandro Cechinel também no instagram.
  • QUASE FUI UM BANQUETE DE Um Puma Na Patagônia!

    Vivência relatada por Ana Wanke, expedição pela patagônia em janeiro de 2018.

      Uma conjunção perfeita de lagos, rios, montanhas, vales e estepe infinito, caminhando por essa sucessão de imponentes paisagens tendo a natureza na sua máxima expressão – Assim eu defino a Patagônia! Deu para perceber que sou apaixonada pela Patagônia? Ela é um dos meus destinos favoritos. Todo ano faço roteiros para a parte Argentina, mas desta vez o destino era a Patagônia Chilena! Eu estava fazendo pela segunda vez o Circuito W, em Torres del Paine e fui com um novo olhar: Com o olhar de quem estava prospectando uma nova trilha para colocar no calendário da empresa Ana Wanke Turismo e Aventura! Falando em olhos atentos, na Patagônia os animais se mititizam na paisagem. Nas estradas que cortam a Patagônia, parece tudo igual, mas se pararmos os olhos, logo conseguimos ver alguns animais, tais como o zorro, uma raposa acinzentada ou uma liebre, tipo de coelho. É comum também vermos guanacos, um parente distante da lhama e vivem soltos pelas estepes patagônicas. Há um animal que sempre quis ver que é o Huemul, um tipo de veado selvagem. Eles são muito “tímidos” e se assustam facilmente. Nesses anos todos que vou à Patagônia nunca consegui ver um nem de perto nem de longe, pois as trilhas estão sempre bem movimentadas. Quem sabe caminhando sozinha, eu não visse um, pensei comigo mesma. Era o segundo dia de trekking do circuito W e o meu destino era o Abrigo Los Cuernos, depois que ir até a base das Torres del Paine. A caminhada naquele dia foi solitária, mas eu estava precisando daqueles momentos: Um misto de meditação, prospecção e contemplação, registrando cada detalhe do percurso. Perdi a noção do tempo admirando aquela paisagem e sabia que iria chegar tarde no refúgio. Perto das 18h00, eu caminhava sozinha faziam algumas horas, quando vi um vulto no mato que me parecia ser um Huemul. Fiquei bem quieta e comecei a tirar fotos do bicho no meio do mato ainda, pois não tinha a certeza que ele sairia dali para mostrar a cara. Tirei uma foto depois da outra… e ele resolveu sair do mato! Quase caí de costas quando a cara que eu vi não foi a de um huemul, mas sim de um puma. Continuei a sequência de fotos admirada com aquele animal, o qual nunca havia pensado em poder ver de tão perto.
    Imagem: Puma na Patagônia, registro Ana Wanke.
    Após alguns segundos contemplando o animal, veio o medo de virar um banquete para o felino. O raciocínio foi rápido:
    • Eu não poderia correr, pois viraria presa,
    • Nem sentar no chão (as pernas estavam bambas) porque ficaria menor que ele.
    Foi quando eu lembrei do que um instrutor de mergulho em Fernando de Noronha me falou sobre os tubarões que ali nadavam: ele está dentro de um parque onde o alimento era abundante, isto é, os bichos estariam bem alimentado e nem iriam ligar para gente. Mas seguro morreu de velho, né? Eu soltei a máquina fotográfica lentamente e segurei firme os bastões. No caso dele atacar, eu tentaria me defender com eles.Tudo bem que era mais fácil o puma palitar os dentes com os meus bastões, do que eu conseguir me defender dele. Para a minha felicidade e sorte, com a mesma tranquilidade que o puma apareceu, ele foi embora, deixando em mim um misto de alegria, medo, euforia. Tudo tremia, mas me senti uma privilegiada. Passado o susto, entendo que foi um presente lindo que recebi e que fez crescer ainda mais a minha admiração pela natureza selvagem da Patagônia.   Esse e outros relatos você encontra em Anawanke.com
  • Petzl libera guia completo com técnicas de segurança

    Visando reduzir o número de acidentes causado por falta de domínio dos equipamentos, a empresa francesa Petzl disponibilizou gratuitamente um manual com técnicas e dicas de utilização correta dos equipamentos, voltado a escalada indoor e outdoor.  
    Imagem retirada do guia access book da petzl
      Para ter acesso ao material é necessário fazer um breve cadastro no próprio site da Petzl, bem simples e rápido de fazer, são perguntas básicas como quantas atividades você pratica, primeiro nome, último nome e seu e-mail. Importante conferir se seu e-mail está correto, vai ser por ele que a petzl vai encaminhar o link de acesso do guia. O guia é bem completo e de fácil entendimento, mostrando o passo a passo desde como fazer a amarração na cadeirinha de segurança, passando por utilização dos freios de maneira correta, como o freio GRIGRI por exemplo.  
    Imagem: freio Grigri em uso, petzl.
      Para fazer o download acesse: https://petzl.typeform.com
  • Os melhores Trail Runners de 2017

    Esse foi um grande ano para a corrida de montanha no país, com ótimas provas realizadas, recordes batidos e atletas incríveis que estão crescendo assim como o esporte, no Brasil e no mundo. Nessa semana a Go To Trail, através do portal Extremos, lançou os resultados do Best Trail Awards, que premiou os melhores atletas do cenário do Trail Running nacional. A categoria “Trail Runner” premiou os atletas mais rápidos em distancias de até 55K. A Categoria “Ultra Trail Runner” premiou os atletas mais rápidos considerando provas próximas ou acima de 80K. Dois dos atletas do Território Performance Team aparecem como destaques desse ano, confira os resultados:

    Best Ultra Trail Runner, Feminino: Fernanda Maciel

    A atleta mineira fechou a temporada entre as Top 5 no Ranking Geral do Ultra Trail World Tour, Top 3 no Marathon des Sables e ainda detém a melhor marca brasileira no UTMB com um tempo pouco acima de 26h. Fernanda bateu o recorde de ascensão do Kilimanjaro com 10h06min, o que mesmo fora do ambiente de competição mostra do que ela é capaz. Isso tudo garantiu a Fernanda como melhor Ultra Trail Runner feminina.

    Best Ultra Trail Runner, Masculino: Chico Santos

    Chico venceu a primeira Ultramaratona com a chancela SkyRunning no Brasil, a Ultramaratona dos Perdidos (105K). Além disso, tem buscado uma evolução pessoal para melhorar sua marca competindo contra alguns dos melhores Ultra Trail Runners do mundo. Fez uma prova forte na Transgrancaria, onde abaixou aproximadamente 100 minutos sua melhor marca no evento. Suas conquistas somadas o fizeram neste ano o melhor Ultra Trail Runner.

    Best Trail Runner, Masculino: Cleverson Luis Del Secchi

    O "fantasma" fez um grande ano na corrida, vencendo provas como a Indomit Pedra do Baú, KTR Campos do Jordão e venceu e baixou a melhor marca na Maratona dos Perdidos (45K). Cleverson participou também do mundial, apesar de não ter sido o melhor brasileiro, bateu os tempos de todos seus companheiros nas provas citadas anteriormente. Assim, garantiu o título de melhor Trail Runner do ano.

    Best Trail Runner e Revelação Ultra Trail, Feminino: Silvia Durigon

    A atleta Silvia Durigon, do Territorio Performance Team, recebeu dois prêmios desse ano. Ela já tinha sido eleita revelação no Trail ano passado, e esse ano comprovou o fato tornando-se a melhor Trail Runner, além de várias conquistas, batendo o recorde da Maratona dos Perdidos (45K). Além disso, fechou o ano vencendo uma Ultra (Run Brasil Ride) de 70K e ganhou o prêmio de Revelação no Ultra Trail feminino.

    Revelação Ultra Trail, Masculino: Jovadir Acedo Jr

    Ele já é considerado um dos principais e mais rápidos Trail Runners no Brasil. Em sua estréia em uma Ultra Trail, na KTR Ilhabela, venceu a prova com tempo abaixo de 7h, deixando alguns atletas de renome para trás. Por isso, foi considerado a revelação do Ultra Trail masculino.

    Revelação Trail, Masculino: Rogério Silvestrin

    Considerado revelação do Trail Run, Rogerio Silvestrin disputou a vitória no sprint final com o Cleverson na Maratona dos Perdidos (45K) e fez uma ótima prova na KTR Campos do Jordão. O atleta do Territorio Performance Team deixou atletas consagrados do Trail para trás em várias provas e promete que esse é só o começo.

    Revelação Trail, Feminina: Lúcia Magalhães

    Esse foi um ótimo ano da atleta de Campinas, da equipe da Go On Outdoor. Ela venceu a prova curta do Short Misión, a KTR Serra Fina e a KTR de Ilhabela. Considerada revelação, Lúcia vem forte para o próximo ano no Trail Running feminino.

    2017 Best Race Performance: François D’Haene

    Já a nível mundial François D’Haene venceu pela terceira vez o maior evento de Ultra Trail do Mundo, o Ultra Trail Du Mont Blanc, deixando alguns dos nomes mais conhecidos do esporte para trás. Ele foi o primeiro atleta do mundo a fazer essa prova abaixo de 20h, levando o prêmio de melhor performance de corrida do ano. E 2018 promete ser um grande ano para o Trail Running! Confira a matéria original com os resultados aqui: Best Trail Awards
  • 11 HORAS ENTRE PAREDES E MONTANHAS DA SERRA DA CANASTRA

    Amigos corredores, depois de pouco mais de um ano dentro do universo trail, 1 ultramaratona e 3 provas na bagagem, resolvi me aventurar em mais uma, que só depois percebi que não era apenas “mais uma” prova de longa distância e sim uma pedreira, literalmente. Foi para o lindo estado de Minas Gerais que parti de Curitiba, quase mil kms de estrada para chegar ao pitoresco e acolhedor município de São João Batista do Glória, ou apenas Glória. O município sediou e recebeu mais uma das belas etapas do circuito de corridas Amazing Runs. A etapa envolvia, além das corridas, provas de mountain bike e desafios que uniam pedalada e corrida. A minha prova era o chamado Ultra Desafio do Lobo Guará, com a distância de 64,9 kms oficialmente e largou no sábado, dia 04/11, às 6 horas da manhã. Mas até chegar essa hora, conto um pouco mais sobre a minha passagem pela região. Cheguei no Glória no final da tarde de quinta-feira. Foi o tempo de pegar o kit da prova, me instalar, comer alguma coisa, organizar alguns materiais, dormir e descansar da viagem longa. Já na sexta-feira, descansado, tomei meu café da manhã, logicamente incluindo o bom e famoso pão de queijo de Minas e fui fazer um pouco de turismo pela região, e de quebra, fazer o reconhecimento do terreno, que onde dentro de algumas horas estaria correndo em busca de mais uma conquista pessoal. Antes disso, uma rápida passada na arena do evento, montada em uma das praças de SJBG, para acompanhar a chegada dos primeiros colocados na prova de mountain bike. Seguindo para meu roteiro turístico, meus amigos, como a Serra da Canastra é linda, imponente e ostenta seus paredões imensos, montanhas, cachoeiras e uma gigantesca área verde, de uma forma capaz de impressionar qualquer um que passa por lá. O parque reservado da Canastra é tão grande e tem tantos lugares para se conhecer, que acabei indo longe demais e voltando do passeio bem mais tarde do que deveria, considerando que ainda tinha que organizar as coisas para prova, ter um bom jantar e tentar dormir cedo. Consegui fazer tudo isso, mas conseguindo deitar somente perto da meia noite. Para o dia da prova, era preciso saber que o local de largada da minha prova não era na arena principal, mas a 18km de lá, já dentro da reserva e não mais no centro do município do Glória. Para isso, deveríamos estar pontualmente na praça (arena principal) às 04:45, horário em que o ônibus da organização levaria os corredores do Ultra Desafio até o local da largada. Tendo isso em mente, programei meu celular para despertar por volta das 3 horas da manhã, pois gosto de tomar uma ducha rápida, fazer uma dupla checagem nos meus equipamentos e tomar um café da manhã tranquilo. Sem levar em consideração que dormi muito pouco, depois de acordado, tudo correu como planejado. Entrei no ônibus, alguns corredores mais tranquilos conseguiram tirar um cochilo até o ponto de largada. Chegando lá, desembarcamos. Ainda estava escuro, mas com o sol quase acordando, deixando uma cor misteriosa no céu, que já nos alertava de que iríamos presenciar um nascer do sol fenomenal, e assim foi. Dada a largada, adotei uma postura bem conservadora, saí num ritmo legal e fui curtindo o visual incrível. Sentindo o terreno, fiz o primeiro, o segundo e o terceiro km, até que veio o momento mais fatídico da prova para mim. Descuidado, entrei numa descida íngreme extremamente técnica, e sem saber bem o que aconteceu, sofri uma queda um tanto grave. Depois de rolar alguns metros, consegui sentar, tentei entender o que aconteceu, identifiquei alguns cortes no braço, joelho e nas costas, uma leve dor no quadril, mas aparentemente nada na cabeça, o que era minha maior preocupação naquele momento. Tivesse algum corte na cabeça, provavelmente teria abandonado a prova ali mesmo. De certa forma, aquilo me fortaleceu e serviu de alerta para que eu respeitasse mais aquele terreno e ficasse definitivamente focado na prova. Levantei e segui em frente para enfrentar a primeira e mais difícil parte da prova. Levando em consideração que passaríamos duas vezes pela área de transição, a primeira após percorrer perto de 28kms e a segunda depois de 45 kms mais ou menos, podíamos pensar em 3 partes para a prova, sendo a última, em tese, a mais tranquila com relação ao terreno e altimetria, que nos levaria ao pórtico de chegada da arena principal, na praça do Glória. Corri bem a primeira parte, tive a companhia do Guilherme Sakai (Team Go to Trail) por um bom tempo, e mesmo tendo passado reto numa bifurcação, onde a sinalização estava um pouco comprometida por causa do vento, o que me fez correr quase 3 kms a mais, concluí o trecho inicial. Na transição, fiz todo reabastecimento necessário com a ajuda da minha esposa, relaxei um tempo sentado, lavei meu pé, troquei as meias, calcei novamente o tênis e parti para os próximos kms. A segunda parte foi tão difícil quanto a primeira, mas já com algumas horas de prova nas costas. Piso que vinha desgastando demais a sola dos meus pés, muitas subidas e motoqueiros insanos no meio do caminho. No início ainda contava com a boa companhia do Guilherme, que já vinha sentindo o desgaste, inclusive psicológico, desde o primeiro trecho, o que infelizmente o faria abandonar a prova mais tarde. Após alguns kms, segui em frente sozinho em busca de um corredor que conseguia ver bem mais à frente. Na verdade, via um pontinho muito distante e que acabou se tornando meu foco e incentivo por um longo caminho, até que consegui chegar nele. Era o Alexandre, corredor casca grossa e muito gente fina que estava lá pelos pontos que a prova concedia para o UTMB Mont Blanc e que também acabou me acompanhando até a próxima transição. Mais uma vez aproveitei o momento para descansar um pouco, trocar a camiseta e fazer o devido reabastecimento. Nesse momento, também resolvi me livrar dos bastões, que por um lado me ajudaram bastante nas subidas, mas por outro também me incomodaram pelo fato de ter que carregá- los por mais de 8 horas. Iniciando o último trecho, ainda na companhia do Alexandre, eu sabia que os próximos kms me permitiriam desenvolver um pouco mais a corrida do que nos anteriores, em razão do piso e altimetria. Porém, o corpo já estava muito cansado, minha condição física e capacidade para correr estava bem limitada e minha sola do pé já incomodava bastante. Depois de correr uns 3/4kms junto com o Alexandre, que estava numa condição física bem parecida com a minha, resolvi tentar soltar mais as pernas e ver se conseguia fazer algo melhor do que havia fazendo, pois estava bem travado e o corpo já pedindo para caminhar em alguns trechos onde, em condições normais, eu correria facilmente. É preciso falar nesse momento, que depois que entrei para o universo das corridas de montanha e ainda mais em ultradistâncias, deixei a competitividade um pouco de lado. Mas em determinadas horas qualquer coisa é válida para nos levantar e nos dar força para seguir em frente e ir contra a dor e o cansaço. Sendo assim, coloquei na cabeça que possivelmente eu ainda estaria disputando posições na prova, tendo em vista que mais cedo tive a informação que estava entre os 11 primeiros. A partir daí fui tentando me manter num ritmo minimante constante, mesmo que lento e já começando a caminhar bastante. Passaram alguns kms, e eu, extremamente cansado, já com mais ou menos 10 horas de prova e com meu gps marcando 60kms (3kms a mais devido a minha errada no primeiro trecho, que naquele momento eu tinha até esquecido de contabilizar), sem forças resolvo sentar à beira de uma estrada de chão, que era facilmente “corrível” e decido puxar minha câmera para gravar alguma coisa e falar algumas palavras sinceras. Meus amigos, nessa hora, com os sentimentos à flor da pele, pois depois de tanto tempo de esforço, acho que nosso corpo e nossa mente entram num estado sui generis, descomunal mesmo, que quase caí no choro. Isso gerou uma energia positiva para mim. Lembrei que estava lá por amor ao esporte, por livre e espontânea vontade. Lembrei das renúncias feitas para que eu pudesse treinar e estar preparado para aquilo e também lembrei das pessoas que estavam na expectativa pelo meu sucesso. Veio aí um alento, lá do fundo um restinho de energia que me fez levantar novamente e seguir, mesmo que trotando ou caminhando. Poucos kms à frente encontro o Raul, amigo e um dos organizadores da prova, no último ponto de hidratação e reabastecimento. Acreditem, encontrar qualquer pessoa num momento desses nos dá algum tipo de força. Fiquei por ali alguns minutos e fui informado por ele que ainda faltavam 8kms e não 5kms como eu achava, pois não tinha descontado aqueles 3. Tomei um copo de Coca, tentamos ver em qual posição eu estava e sem perder muito tempo segui a batalha dos 8kms mais difíceis da minha vida. Estrategicamente pensei km por km. Trotava o máximo que conseguia (variava entre 300 a 500m) e caminhava firme até fechar 1 km. Voltava a trotar e caminhar, e assim segui. Tirando as dores normais, os cortes e arranhões da queda no começo, que surpreendentemente não me incomodaram tanto, algumas bolhas na sola do pé e o cansaço de maneira geral, eu estava bem. Aí, faltando 2kms, quando eu achava que nada mais aconteceria naquela prova até eu cruzar o pórtico, apareceram câimbras absurdas em quase todo o meu corpo. Puxava de um lado, repuxava de outro, e eu, sem parar de caminhar, me contorcendo e as vezes até gritando de dor, prossegui. Confesso que as câimbras são um capítulo à parte, pois estava preocupado que elas aparecessem bem mais cedo, mas graças a minha preparação nutricional e boa reposição de nutrientes durante a prova, elas só apareceram depois de longos 65 kms e 11 horas de prova, Mas apareceram, e com força. Realmente foram 2 kms demorados e muito sofridos, mas eu cheguei, com muitas dificuldades mas cheguei e fui recepcionado com muita alegria por alguns moradores locais que gritavam e me davam força para que eu desse meus últimos passos até finalmente, depois de 11h27min32s, cruzar o pórtico de chegada. Feliz, aliviado e com o sentimento de dever cumprido, recebi minha medalha e sentei ali mesmo, na primeira cadeira que vi. Depois de alguns minutos fiquei muito feliz por ver o Alexandre chegando, que também recebeu sua merecida medalha e se sentou ao meu lado, exausto assim como eu. Já recuperado e acompanhando a premiação, claro que com uma pontinha de esperança e expectativa, chamam meu nome para receber a premiação de 3º lugar na categoria 30-39 anos. Que alegria e que satisfação foi correr naquele lugar incrível, ter sido um dos poucos guerreiros que decidiram encarar a Serra da Canastra e um dos pouquíssimos premiados. Trouxe para casa um lindo troféu feito a mão por moradores da região, algumas peças de queijo premiado da Canastra, mas mais que isso, trago uma experiência maravilhosa e inesquecível, que é um grande prazer poder compartilhar aqui com vocês corredores, leitores e interessados. Agora é esperar o fim de 2017 e programar os próximos desafios e ultra desafios do próximo ano. E se você quer sentir um pouco mais do que foram essas 11 horas, tem vídeo no canal Insane Runner sobre essa aventura, não deixem de conferir!   Se tiverem a oportunidade de correr nesse lugar fantástico, não deixem de fazer. A dica. Olhem bem pro chão, porque a Canastra tem vida própria e pode te derrubar rsrs... Saudações. Boas corridas e até a próxima.

    Relato por Davi Xavier INSANE RUNNER

  • Venha fazer o Test Drive das Mochilas Deuter!

    Vocês sabiam que a marca de mochilas mais conceituada do mundo tem um programa para montanhistas testarem suas mochilas? E vocês sabiam que a Território faz parte desse programa? Pois então, confira o material que temos disponível para você, visite uma de nossas lojas, solicite as regras com nossos especialistas e aproveite essa experiência de usar uma Deuter! Informações sobre os produtos: ACT Lite 50+10 https://www.territorioonline.com.br/mochila-act-lite-50l-10l-deuter A Mochila Cargueira Act Lite 50L+10L Deuter possui barrigueira estruturada, armação compatível com hidratação de água de 3 litros, abertura do compartimento inferior, sistema excelente de ajuste da altura das alças e tira peitoral, que permite que qualquer pessoa utilize e ajuste com facilidade e conforto. Fivelas feitas para conferir resistência a água. E não podia faltar o sistema Deuter de ventilação do costado, o qual faz toda a diferença na hora da caminhada. A mochila Act Lite 50 + 10 é um modelo Deuter projetada para conferir leveza, porém mantendo as características de um produto que não peca em nada, com muitos detalhes, resistência, conforto, baixo peso (apenas 1580 gramas) e durabilidade incomparável., possuindo inclusive uma capa de chuva. Pela sua versatilidade, é considerada uma semi-cargueira, ideal para a prática de escalada, trekking , hiking e montanhismo de baixa e média altitude, como também em pequenas travessias com acampamento e bivak*. Mochila ACT Lite 60+10L SL https://www.territorioonline.com.br/mochila-de-caminhada-act-lite-60-10-deuter A Mochila de Caminhada Act Lite 60+10 SL Deuter é uma mochila extremamente elegante, espaçosa e muito resistente. Para quem quer uma mochila cargueira leve, a linha ACT Lite é a solução perfeita. A ACT é uma mochila cargueira com espaço interno ideal indicada para trekkings de vários dias e expedições. Pesando apenas 1900 g, ela possui um compartimento principal grande, que pode ser dividido em dois através de um zíper interno que separa a parte inferior da superior da mochila, cada qual com acesso separado. Na parte inferior a abertura é feita por zíper e na superior pelo tradicional sistema de feixe com cordinhas e expansão, onde a mochila ganha mais 10 litros de volume extra que inclui um loop na tampa para prender um item extra. No costado do compartimento principal há também o compartimento para guardar sistema de hidratação de até 3 litros. Esse modelo é indicado principalmente para caminhadas longas, trekking ou ainda esqui e viagens. Atendendo o público feminino e homens mais magros e baixos (com até 1.70cm). É uma mochila muito leve e com design simples, porém conforto sem igual, com ótima ergonomia e resistência, é aquele produto que irá te acompanhar para qualquer lugar, por tempo indeterminado. Aircontact 60+15 https://www.territorioonline.com.br/mochila-aircontact-pro-60-15l-deuter A Mochila Cargueira Aircontact Pro 60+15 Litros Deuter possuí grande capacidade de carga para equipamentos e excelente conforto e resistência para uso em terrenos acidentados como os encontrados em travessias e escaladas nos Andes, um trekking pesado no Nepal, travessias mais pesadas nas serras brasileira, ou seja, perfeita companheira para altas e médias altitudes, ou ainda, para viagens sem montanha mas que exigem segurança com seu equipamento. A Aircontact é uma mochila perfeita para caminhadas de longa duração ou viagens. Possui o sistema Vari-Flex, o qual permite que a barrigueira desta mochila seja móvel e independente do costado, distribuindo o peso de forma uniforme, dando liberdade de movimento e equilíbrio em qualquer ambiente, mesmo quando carregando bastante peso. Sistema excelente de ventilação Airstripes, que permite a expulsão do calor e a rápida secagem. Todos esses detalhes auxiliam para maior performance e redução do cansaço. É possível ajustas as alças para todos os tamanhos de torso. A tampa é removível e transforma-se em uma pequena mochila de ataque, a mochila acompanha também capa de chuva e além disso tudo ainda podem ser usados dois sistemas de hidratação de forma simultânea. *BIVAK: *área de "estacionamento" em que você só dispõe de abrigos naturais, especialmente árvores, cavernas ou pedras planas. Bivaque é a técnica de se dormir na natureza sem a utilização de barracas, com o maior conforto possível e a menor agressão ao meio ambiente, é a arte de se abrigar sob as estrelas e de enfrentar as piores situações possíveis com muita criatividade. Os bivaques podem ser feitos com abrigos naturais ou construídos.  
  • [RELATO] ULTRAMARATONA DOS PERDIDOS 2017

    RELATO DE UM ATLETA AMADOR QUE ENCAROU OS 45K Largamos as 6h da manhã, com 8 graus de temperatura. Ainda estava escuro, mas a lua brilhava no céu estrelado. Enquanto aquele pelotão de atletas cada qual com sua lanterna de cabeça percorriam os primeiros 6km da prova, que já era uma subida sinistra logo de cara para atingir o cume do Morro dos Perdidos (1440m), o sol começa a pintar o céu em tons de laranja, rosa e azul. Nesse momento eu falei pra mim mesmo (e também para alguns outros atletas) que independente do que fosse acontecer dali pra frente, já tinha valido a pena por aquele momento. Assim que o sol fez desnecessário o uso da lanterna, corríamos já nos campos de altitude da montanha, em meio a trilhas com bastante barro negro e como o o céu estava limpíssimo, já dava pra ver a linda montanha Araçatuba, além das demais da região. Passamos os próximos 6km na descida, a todo vapor, deslizando no barro, nessa hora o tênis e o bastão que eu estava usando ajudaram muito. Depois a gente pegava novamente a estrada de chão e nesse momento desci bem forte, ganhando um pouco de tempo. Entramos na trilha e descendo em meio as raízes e arvores passamos pela linda cachoeira. Subimos um pouco na trilha e logo após o primeiro posto médico no km 10,5 e já estávamos novamente no mato. Árvores, rochas, e até pequenos córregos. Do km 12 até quase o km 17 subimos a segunda ladeira, ganhando mais 500m de elevação em 5km. Depois disso vários sobe e desce até o km 21, onde tinha o primeiro corte da prova com 5h30 (quem não chegasse até essa hora nessa base não poderia continuar). Passamos também em algumas propriedades particulares com plantação de pinus, algumas trilhas, e alguns lugares abertos onde o sol deixava a terra seca a ponto de levantar poeira. A chegada no ponto de corte era por uma parte de estrada de chão e grama no plano, onde dava pra correr um pouco mais, mas nesse momento uma ameaça de cãibra na coxa já me impedia de aumentar muito o ritmo. Mas eu estava bem, dosando as barrinhas e géis de carboidrato, já tinha tomado quase todo o isotônico e os 2l de água que tinha na mochila de hidratação. No geral cheguei bem no ponto de corte, com 4h20 de prova. Meu parceiro estava lá e me deu uma ajuda, enquanto pude descansar um pouco e dar uma esticada nas costas, que já estavam doendo demais. Aproveitei pra tomar mais uma dose do pré-treino e BCAA, com 300ml de água e o resto do isotônico que estava na garrafa. Também comi algumas barrinhas de fruta disponíveis ali. Meu parceiro encheu a minha mochila de hidratação e deu uma levantada nas minhas pernas. Um pouco antes de eu sair, uma outra atleta me deu uma cápsula de sal devido a ameaça de cãibra. Saí do ponto de corte com 4h30 de prova, e me sentindo renovado bem. Corri por alguns trechos de grama e entrei na floresta, onde tinha uma trilha bem íngreme no meio das árvores, com raízes e durava até o km 24,5. Fui dosando a energia, num ritmo lento, coração acelerado, e logo que eu poderia correr mais agora que era descida, tive que ir controlando a dor na coxa, já começava a me abaixar cada passo para esticar o músculo, e tive a ideia de jogar água que ainda estava fria na minha mochila. Puxava um gole na boca e jogava na perna. Isso fez com que eu fosse controlando bem até o próximo posto médico no km 26. Ali passei gelol, me deram um remédio pra alívio e tomei um copo de coca, ainda me mantendo alimentado pelo gel e barra de carboidrato, a cada 45min -1h de prova. Consegui continuar rumo a temida subida do Araçatuba. Na cachoeira no pé da montanha molhei minha perna com água gelada, e com o apoio nos bastões fui do km 28 ao km 34,5 mais de 700m de elevação, passando pelas árvores, raízes, relva baixa já nas partes mais altas, onde o mato está aberto e venta muito. Durante a subida minhas costas já estavam doendo demais, e a cãibra estava prestes a travar minha perna. Tive que parar algumas vezes na trilha e cheguei a me jogar no chão para aliviar por nem que seja 30 segundos o peso do meu corpo e dar uma esticada nas costas e nas pernas. E assim foi, me levantava e prosseguia. Consegui chegar ao cume da montanha com 8h09 de prova, animado que faltariam menos de 11km e era descida, talvez eu conseguisse chegar com menos de 10h, que era meu objetivo. Lá em cima tinham alguns staffs de apoio, tiraram uma bela foto de mim apesar da cara de exausto e passei cataflan na coxa, joguei mais agua, dei uma esticada na pedra, comi mais alguma coisa e segui. Saí do cume e fui correndo para a descida. Era MUITO íngreme, apesar de conseguir desenvolver velocidade em alguns pontos, tive que controlar muito devido a inclinação e o barro, quase caí duas vezes, e nessa hora novamente o bastão me salvou. O problema é que para descer bem você usa muito a coxa, e a minha já não estava muito boa. Como eu tentei aumentar o ritmo para chegar antes das 10h, minha coxa quase não aguentou, a dor começou a ficar muito forte, e a canseira começou a tomar conta de mim. Confesso que não estava devidamente treinado para essa prova. Logo após descer a montanha, a gente entrava novamente na parte mais seca e rochosa, perto das plantações de pinus. Várias subidas e descidas pequenas, e aí eu comecei a me sentir mal, tive que parar várias vezes e novamente me jogar no chão para esticar as costas e a perna, além de dar uma respirada. Comecei a sentir náuseas e uma dor no estômago que eu não sabia se era devido as coisas que comi ou era dor de fome. Comi mais alguma coisa, sempre me hidratando de pouco em pouco com a mangueira da mochila, e fui seguindo desse jeito. Nessa hora meu psicológico já pegava, eu não aguentava mais nem as pequenas subidas, e quando a descida era muito grande também eu não conseguia acreditar que aquilo não tinha fim, pra mim nesses últimos km parecia que eu já tinha rodado muito mais que 10, estava exausto. Cheguei no último posto médico que ficava no km 41, quando percebi que ainda faltavam 4km pra chegar quase desisti, pensei em abandonar a prova ali para poder descansar. Meu objetivo de fazer abaixo de 10h já era, minha força, tudo. Mas eu não consegui fazer isso. A staff falou pra mim “vai lá que falta só 4km” enquanto eu passei por ali e abandonei totalmente a ideia, nem parando nesse posto. Prossegui com todas as dores possíveis e o mal estar, mas parece que meu corpo deu uma estabilizada e consegui manter um certo ritmo. Ainda tive que parar algumas vezes e perdi até a noção do tempo nesse momento. Esses últimos km da prova eram praticamente só de mata fechada e alguns trechos com muita lama, de atolar até a canela, não sei ao certo quantos km faltavam, mas encontrei uma outra corredora nessa parte da prova que me falou que faltavam 20min para o tempo de corte, que era 11h. Segui da forma que consegui, ainda conseguindo correr nos trechos planos ou de descida não tão forte. Quando cheguei na estrada de chão para os últimos 600m de prova, corri com as últimas energias que me faltavam, e cruzei a linha de chegada. Concluí esse trajeto de 45K. Muito pior do que o esperado, mas concluí. Durante esses últimos 10km de prova, quase neguei o que tinha dito no início, o psicológico já estava tão abalado quanto o corpo. Mas com certeza, logo que cruzei a linha de chegada, já sabia que eu estava certo, 11h atrás, de que tinha valido a pena. Não sei dizer exatamente em qual parte da prova, km, etc. Mas cruzei com vários atletas homens e mulheres, desde a primeira subida, em momentos de descontração, sorrindo, elogiando a vista, dando um oi que seja, ou nos momentos difíceis em que eu estava mal. Como eu estava sem relógio, sempre que perguntei “quanto tempo de prova?” ou “quantos km?” a galera me informou. E em TODAS as vezes que algum atleta passou por mim me perguntavam se estava bem, se precisava de ajuda ou me ofereciam algo pra comer. Isso é o esporte. Enquanto escrevo isso, já me recuperando, apenas com as dores físicas que ainda vão durar mais alguns dias, lembro de todo mundo que me parabenizou, que me desejou boa prova, das parcerias que fiz nesse sábado, e volto a dizer que, não só por um dos nascer do sol mais lindos que eu já vi na vida, mas por tudo isso que eu disse, valeu a pena cada gota de suor. Obrigado! A todos os atletas que de alguma forma me ajudaram, alguns dos quais eu nem sei o nome, mas fica aqui meu reconhecimento. Aos staffs que me ajudaram com o que estava ao seu alcance. A TRC pela organização da prova, que estava muito bem feita. Em especial a minha família Enzzio, Marcia e Amanda, que estiveram comigo recentemente conhecendo o morro dos perdidos e sempre me apoiam nas minhas loucuras. A todos meus amigos que de alguma forma me apoiaram ou me ajudaram e deram força para o desafio. Ao Rick Souza, que me deu o apoio necessário no corte e sempre esteve me incentivando a correr. Ao Bob, que me emprestou a mochilinha que foi sensacional. Ao Norton, meu grande amigo e (apesar de eu não estar mais treinando), meu treinador, que me apresentou esse esporte. Ao Gerardo da 42K suplementos com as dicas de alimentação. Ao Henrique, Chicão e Matheus, outros atletas que correram o 45K e fizeram a prova bem melhor que eu haha, e também a Ana, que fez os 25K, cada um de um estado desse Brasil, que pegaram carona comigo e viraram meus amigos. E a Território que me deu a oportunidade de participar desse desafio! Na foto de capa do post, a campeã da prova Silvia Durigon, no cume do Morro dos Perdidos e ao fundo o nascer do sol citado no início do texto.

    Relato escrito por Tarcísio Rupel 15 de Julho de 2017

  • Performance e Recuperação em Corridas de Montanha

    A alimentação é peça chave para um bom desempenho e recuperação em provas longas. O que comemos e bebemos antes , durante e depois do treino tem grande interferência em nossos resultados e nos ajuda lidar melhor com o esforço prolongado. Antes da corrida: É muito importante reestabelecer os níveis de glicogênio ( energia armazenada nos músculos). Fundamental para garantir energia durante as provas e treino , manter o ritmo e também auxiliar na recuperação e evitar fadiga ou lesões. Os dias que antecedem (2 dias) treinos longos ou provas longas devem conter uma maior quantidade de carboidratos de qualidade, como: arroz, batatas, grãos, frutas secas (tâmaras, passas, figos). Importante que estes ajustes sejam feitos por profissionais capacitados para não haver ganho de gordura corporal. O dia que antecede a prova deve ter baixo consumo de fibras. É um bom momento para preferir versões refinadas. Essa estratégia é utilizada para evitar desconforto gastrointestinal, mas se você já percebeu que não tem problema quanto a isso, mantenha os integrais. Com a sobrecarga você se sentirá com um pouco mais de peso. Não se preocupe, é apenas água, pois cada grama de glicogênio é armazenado com cerca de 3ml de água, que é responsável por essa sensação de peso. Isso vai diminuir quando você começar a corrida, e servirá para regular a temperatura corporal. Durante a corrida: O grande desgaste muscular causados em corridas de resistência na montanha é por conta da alta demanda de energia, que precisa de carboidratos, proteínas, líquidos e eletrólitos essenciais. Importância da Hidratação Há perdas entre 500 ml a 2 litros de água por hora através do suor, além dos minerais (sódio e potássio). A desidratação e hiponatremia (diminuição de sódio no sangue) comprometem seu desempenho, com sintomas como fraquezas, tonturas e alterações mentais e motoras, em casos mais graves. É recomendado tomar entre 150 e 200 ml a cada 15 ou 20 minutos. O mínimo de 500 ml por hora. A adição de sódio é essencial para evitar cãibras musculares e hiponatremia. As melhores opções são bebidas isotônicas esportivas (6-8% de açúcares e de sódio), alternar água com géis e barras, ou levar comprimidos de sal ou pó para misturar com a água das estações de abastecimento ou de fontes naturais. Nas provas de ultra resistência, as bebidas com misturas de carboidratos (glicose, frutose, maltodextrina) melhoram a utilização de energia, e a adição de aminoácidos ramificados (BCAA) diminui lesões musculares e estimula a síntese de proteínas e imunidade. Repor energia e carboidratos Com o esforço intenso usamos reserva de energia muscular (glicogênio) que são limitados. Assim, esgotado o glicogênio, as proteínas serão usadas como fonte de energia, isso resulta perda de massa magra. Aí está a importância de utilizar alimentos ricos em proteínas e carboidratos com regularidade. É recomendado comer entre 10 a 60g e carboidrato por hora. Em provas maiores esses valores mudam e essas dosagens são bem variáveis. Podem ser consumido através de géis e barras de carboidratos, gomas energéticas, barras de frutas, frutas secas, shakes de proteína e carboidrato, bebidas esportivas. Temos varias opções que são aplicadas conforme necessidade.   Pós corrida – Recuperação Na finalização da prova é imporante repor nutrientes como carboidratos de rápida absorção e proteínas com alta digestibilidade. Além disso, repor  vitamina C e glutamina é boa estratégia para fortalecer os sistema imunológico. Após a prova, é importante passar um dia consumindo alimentos in natura, nada de processados e desta vez sempre optando por carboidratos integrais e proteínas magras e gorduras boas, como abacate, castanhas, óleo de coco. Em eventos de ultra distância, onde você compete em etapas, com algumas horas de descanso é importante ter estratégia para otimizar a recuperação, o consumo de carboidratos, proteínas, vitaminas e hidratantes, o mais cedo possível. Se sentir náuseas ou falta de apetite, o melhor é se hidratar com uma bebida de recuperação, como caldos e sopas. Após a corrida, evite alimentos com gorduras saturadas, álcool, alimentos picantes e processados​​, pois os seus sistemas digestivo e imunológico estão enfraquecidos devido o esforço da corrida e dos hormônios de estresse, como o cortisol. Por: Anna Amelia Techio @benditaraiz
  • "[...] existe algo muito universal nessa sensação, no modo como o ato de correr combina dois de nossos impulsos primais: sentir medo e sentir prazer. Corremos quando estamos assustados , quando estamos em êxtase, quando queremos fugir dos problemas e para curtir momentos de felicidade. E, quando as coisas pioram, corremos mais ainda."  (Christopher McDougall)

Itens 1 a 10 de um total de 13

  1. 1
  2. 2